Por: Prof. Msc. Greiciely Lopes – Personal Trainer e Professora de Pós Graduação

A aptidão física é reconhecida como um grande indicador de saúde cardiovascular e é um preditor bem estabelecido de mortalidade em indivíduos com e sem doenças cardiovasculares (DCV) (Kodama el al., 2009). Estudos tem mostrado aumentos significativos na capacidade cardiorrespiratória após treinamento aeróbio intervalado de alta intensidade em ambos os indivíduos: saudáveis e com DCV (Fu et al., 2011).

Ao trabalhar com pacientes com DCV é de grande importância saber o quão alta pode ser a intensidade do exercício que seja ao mesmo tempo segura e promova melhoras na capacidade cardiorrespiratória, que vamos chamar de VO2pico (mais alto de consumo de O2 medido durante um teste ergométrico/ ergoespirométrico).

Um estudo realizado na Noruega e publicado no “Journal of Science and Medicine in Sport” – uma das mais respeitadas revistas de medicina do esporte – foi o primeiro estudo a investigar o impacto da intensidade do exercício durante séries de treinamento intervalado de alta intensidade no aumento do VO2pico (Moholdt et al, 2014).

Nesse estudo, cento e doze pacientes com doenças cardiovasculares participaram 24 semanas de treinamento intervalado composto de 4 séries de 4 minutos a 85-95% da FCmáx (número máximo de batimentos que seu coração é capaz de efetuar em um minuto).

A intensidade do exercício é compreendida como “alta” se for entre 85-95% da FCmáx. Nesse estudo a faixa da alta intensidade foi dividida em três categorias <88%, 88-92% e >92% da FCmáx.

Aumento no VO2pico de acordo com as categorias de intensidade de exercício

Conforme verifica-se na Figura 01, o aumento do VO2pico no grupo que se exercitou em intensidade acima de 92% da FCmáx foi de 5,2 mL/kg/min (11,9%), sendo maior e estatisticamente significativo em relação às outras categorias de treinamento. Dentre as variáveis estudadas (número de sessões de treinamento, idade, VO2pico antes do treinamento e percentual da FCmáx), somente o percentual da FCmáx, ou seja, a intensidade do exercício teve efeito significativo no aumento do VO2pico.

Uma recente revisão mostra que treinamento intervalado de alta intensidade é seguro e melhor tolerado por pacientes que exercícios contínuos de intensidade moderada e podem ajudar na aderência ao exercício nesta população (Guiraud et al., 2012).

Com o aumento da capacidade aeróbica há uma redução do risco de mortalidade. Portanto, esses dados são importantes para profissionais da saúde na orientação e supervisão de treinamentos em pacientes com DCV. Segundo este estudo, pacientes cardíacos que estão aptos a realizar treinamento intervalado de alta intensidade devem objetivar um aumento da intensidade de exercício acima de 92% da FCmáx para possibilitar melhoras na capacidade cardiorrespiratória.

Embora intensidades vigorosas sejam mais efetivas na melhora da capacidade cardiorrespiratória essas intensidades devem ser prescritas com cautela. Assim, antes de começar o treinamento, os pacientes devem estar em tratamento clínico e ter realizado testes ergoespirométricos conforme as diretrizes (Guazzi et al., 2012).

Pacientes que não estão aptos a realizar exercícios de alta intensidade devido a limitações ortopédicas, obesidade ou assuntos motivacionais podem manter um treinamento em intensidade moderada pois será cardioprotetor e resultará (mesmo que em menor grau) em melhoras cardiorrespiratórias.  Algum tipo de exercício é sempre melhor do que nenhum, mas é de suma importância procurar um profissional qualificado para orientar sua prática de atividades físicas!

Exercite-se!

 

Referências:
Fu  TC,  Wang  CH,  Lin  PS  et  al.  Aerobic  interval  training  improves  oxygen  uptake efficiency  by  enhancing  cerebral  and  muscular  hemodynamics  in  patients  with heart  failure.  Int  J  Cardiol  2011;  167:41–50
Guazzi  M,  Adams  V,  Conraads  V  et  al.  Clinical  recommendations  for cardiopulmonary  exercise  testing  data  assessment  in  specific  patient  populations.  Eur Heart  J  2012;  33(23):2917–2927.
Guiraud  T,  Nigam  A,  Gremeaux  V  et  al.  High-intensity  interval  training  in  cardiac rehabilitation.  Sports  Med  2012;  42(7):587–605.
Kodama  S,  Saito  K,  Tanaka  S  et  al.  Cardiorespiratory  fitness  as  a  quantitative predictor  of  all-cause  mortality  and  cardiovascular  events  in  healthy  men  and women:  a  meta-analysis.  JAMA  2009;  301(19):2024–2035
Moholdt, T et al. The higher the better? Interval training intensity in coronary heart disease. Journal of Science and Medicine in Sport , Volume 17 , Issue 5 , 506 – 510.

 

Mestre em Fisiologia da Performance (UFPR). Especialista em Atividade Física e Saúde (UFPR). Personal Trainer em academias e condomínios. Personal Coach do Lifex Institute Curitiba. Cursos de certificação internacional: Resistance Training Specialist. Professora de Cursos de Pós-Graduação. Diretora técnica do Exercite-se.com.

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