Por Tamy Cecy

Minha primeira experiência como atleta-guia foi na Maratona Caixa de Curitiba 2011 com o atleta paraolímpico Sérgio Negreiros Dias. Foram 42,195km de muito aprendizado e reorganização da minha escala de valores. Compartilhamos em cada quilômetro nossas conquistas e superações. Sérgio participou das Paraolimpíadas de Los Angeles (1984) e de Seul (1988) nas provas de atletismo 800m, 1500m e 5000m. Ainda em 1988, participou de um Torneio Espanhol de Futebol de Salão pela Seleção Brasileira, organizado pela ONCE – Organización Nacional de Ciegos Españoles, conquistando o campeonato.
A superioridade técnica e a ética deste atleta me permitiram concluir a prova com muita tranquilidade.

A segunda experiência aconteceu na 8ª Corrida Noturna da UNIMED – 2012, como atleta-guia do paratleta lapeano Fernando Tenório Carvalho que ingressou nas corridas há um ano e já conquistou em 2011 o Campeonato de Corridas de Rua da SMELJ – categoria Deficiente Visual. Seu objetivo é permanecer no esporte para manutenção de sua saúde, independência e integração social.

A expectativa de atuar como atleta-guia numa prova noturna, mesmo sendo de apenas 10km, foi muito grande. Felizmente a organização da prova foi brilhante, o que facilitou o nosso desempenho. O Fernando é um ser humano extraordinário. Sua determinação e postura diante da vida são impressionantes, além de ser um atleta com potencial atlético excelente. Enfim, percorremos os 10kms com uma energia muito legal.

 

 

Ser atleta-guia é uma experiência indescritível…

É ter a consciência de que a partir do instante em que se toma a decisão de ser os olhos do outro atleta, assume-se a responsabilidade pela sua performance final e pela sua segurança. É preciso muita tranquilidade e domínio das ações para que o paratleta adquira confiança suficiente para atingir seus objetivos.

O atleta-guia deve estar presente nos treinos diários e não apenas no momento da competição, pois deverá assumir uma postura de acordo com as características técnicas de seu paratleta.

Além de todo este rigor diante do compromisso assumido, o guia deve seguir algumas regras básicas, como por exemplo:

. Ao cruzar a linha de chegada, deverá estar posicionado NECESSARIAMENTE atrás do seu atleta:

. O método ideal para condução do atleta é o cordão (distância máxima de 50cm) sendo que jamais o guia poderá arrastar ou empurrar o paratleta

Atuar como atleta-guia foi um objetivo que me acompanhou durante muitos anos. A falta de uma ação de incentivo e inclusão dos deficientes visuais no esporte sempre foi um enorme obstáculo. Felizmente, em 2011, através do então diretor da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer da Prefeitura de Curitiba (SMELJ), Felipe Nasser Daher, consegui concretizar a primeira etapa do meu projeto: correr a Maratona de Curitiba como atleta-guia.

O projeto de Felipe era exatamente o que eu buscava: preparar atletas-guias para promover a inclusão social, através do esporte, de portadores de deficiência visual. Sua programação era muito bem estruturada, principalmente no que se refere à premiação aos guias, pois  a maioria dos atletas busca o reconhecimento através de seus resultados e no caso, atuando como guia, este reconhecimento é praticamente inexistente: a premiação seria um estímulo para o sucesso desta ação.

 

Atleta-Guia: Tamy Cecy Fraga Rezende

Idade: 47 anos
Atividade Profissional: Engenheira Civi, Tecnóloga em Concreto e Analista de Sistemas
Atividades Fisicas: Maratonista e Triatleta
Tempo de Atividade: Maratonista – 12 anos ; Triatleta – 5 anos
Treinos: Corrida 06 (seis) vezes por semana; Natação 03 (três) vezes por semana e ciclismo 03 (três) vezes por semana
Alguns Resultados:
. Track & Field 2008 – Campeã Geral Feminino 10km
. 2ª Meia Maratona das Cataratas –  3º Lugar Geral Feminino
. Desafio Nike 600k SP/RJ 2009 – Vice-Campeã Equipe Curitiba

 

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